quarta-feira, 27 de junho de 2007

REVELAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE UM AUTOR PRECOCE: O PILOTO QUE DEU ORIGEM À SÉRIE

Finalmente, um blog. Blogs são notórios difusores de conhecimento. Vritines de escritores etc etc. Há quase dois anos (29/06/2006), IstoÉ já noticiava tal fenômeno (www.terra.com.br/istoe/1863/ciencia/1863_tribuna_livre.htm).

Pois bem, voltando à vaca fria - a propósito, oportunamente falarei sobre o uso de termos anacrônicos -, resolvi lançar meu blog.

O primeiro passo seria um nome. Optei por "revelação extemporânea de um autor precoce". Naturalmente, escolhi um nome "engraçadão", pois o humor (mau ou bom) é indissociável da minha pessoa. Quem me conhece sabe que sou um comediante frustrado. E um dos motivos de minha frustração reside em, invariavelmente, ter que explicar minhas piadas.

Explico: revelação e extemporaneidade são termos aparentemente contraditórios entre si. Nem preciso falar, então, de precocidade e extemporaneidade. Revelação vem no sentido usado nas premiações no estilo "artista revelação", "ator revelação" ou "cantor revelação". No caso, uma revelação extemporânea, ou seja, feita depois do tempo. Ainda, tudo fica mais engraçadinho se considerarmos que se trata de um autor precoce.

Mas, o leitor atento dirá: 30 anos não é nada precoce. Neste ponto, cabe um esclarecimento sobre minha trajetória.

Comecei a ler aos 4 anos de idade. Não lia somente livrinhos infantis. Lia VEJA (que certamente contribuiu muito na formação de minha personalidade cética e paranóica, assunto a ser tratado oportunamente). Desde então, na minha infância, li de tudo. Da "Coleção Vagalume" a Sidney Sheldon. De "Menino Maluquinho" e "Pequeno Príncipe" a Vinícius de Moraes e Nostradamus. Lá pelos 8 anos li quase tudo da Agatha Christie. Pouco depois associei-me ao Círculo do Livro. E por aí vai. Tudo que caía na minha mão recebia no mínimo uma passada de olhos. Talvez futuramente faça aqui um inventário de tudo que li.

Entretanto, continuemos, pois o título não é o "leitor precoce". A partir da leitura, fiz um caminho lógico e comum: passei a escrever. Pedi de aniversário aos 7 anos uma máquina de escrever. Por meio dela, vieram contos policiais na infância. Seguidos por uma tentativa de saga medieval à la "Demanda do Santo Graal" no início da adolescência. Por volta dos 15 anos quase participei de um "piloto" de programa televisivo, no qual faria crônicas. No auge da adolescência, dos 15 aos 20, aposentada a máquina (onde terá ido parar a coitadinha?), escrevia poemas nos cadernos escolares para tentar ordenar as dúvidas comuns dessa fase. Alguns deles serão postados aqui. Houve também uma tentativa de peça teatral com nítidas influências shakespearianas (sobremaneira Hamlet).

Se eu tivesse publicado aos 7 ou aos 10, seria um gênio! Aos 15 ou 16, seria ainda um espanto. Aos 20 e poucos, já estaria dentro da normalidade. Hoje, aos 30, sou quase um Saramago (não em talento, mas porque ele foi publicado já quarentão).

Todavia, o perfeccionismo - herança de minha talentosa e adorada mãe - me impediu de divulgar meus trabalhos. Escrevia para mim e, como lia bons autores, o que escrevia não era satisfatório.

Dessa forma, poderia ter feito carreira como crítico literário (perdoem-me a piada). No entanto, escolhi o Direito (ou o Direito me escolheu, o que poderemos discutir futuramente). E o Direito, ofício importante e indispensável à sociedade, tem uma característica marcante - comum a todas as profissões, mas mais notável no mundo jurídico - o jargão próprio. Vale dizer, os operadores do Direito (ô, lugar comum!) costumam usar os mesmos termos, as mesmas frases, as mesmas construções lingüísticas. Juristas falam e escrevem todos de forma muito similar.

Neste ponto, para evoluir na profissão, tolhi um pouco minha criatividade. Lamentável, pois uma coisa não exclui necessariamente a outra. Poderia muito bem ter continuado a escrever como antes. Neste sentido, há vários exemplos notáveis, sendo o mais recente Saulo Ramos(www.editoraplaneta.com.br/00/00.asp?IDLIBRO=31959).

Evoluindo no Direito, tive a grata oportunidade de fazer mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, onde pude publicar um artigo (www.jurua.com.br/shop_detalhe.asp?id=13055) e trazer à baila minha dissertação (www.biblioteca.pucpr.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=512), que - pasmem! - não deixa de ser um livro. Então, em agosto de 2006, tornei-me oficialmente um escritor, ainda que de livros técnicos, categoria não-ficção.

Porém, para satisfazer meu sonho infantil, preciso escrever mais. E, enquanto não termino minha novela ou minha coletânea de contos, terei o blog como meio de expressão. Como diz o Prof. Pasquale e diziam da Coca-Cola: é isso aí!